1. Religiosos e leigos: Uma nova luz para o caminho / Leigos e leigas compartilhando o Carisma fundacional

A colaboração entre religiosos e leigos, partilhando uma mesma espiritualidade e juntando forças em um mesmo trabalho apostólico é algo que vem se dando com bastante frequência na Igreja, com muitos e promissores frutos. Trata-se de uma colaboração entre batizados com vocações e estados de vida diferentes que se unem para poder servir mais e melhor à Igreja e ao Reino de Deus. O leigo ao qual nos referimos hoje ao falar de colaboração não é sempre o mesmo que ontem. É um leigo consciente de que também ele, como o religioso ou o sacerdote, está - por sua mesma condição de batizado - chamado à santidade, à perfeição e ao apostolado; a exercer na Igreja e na “nova evangelização” da sociedade um papel muito mais ativo e responsável que antes; papel que a Conferência do Episcopado Latino-americano, reunida em Sto. Domingo, qualificou de protagonismo. Afinal, é do leigo que depende, em última instância e mais diretamente, a evangelização da sociedade com profundidade e “por dentro”. É ele que vive e trabalha em áreas e ambientes que devem ser evangelizados e nos quais, segundo a atual legislação ou prática da Igreja, nem o religioso nem o sacerdote podem penetrar ou só podem fazê-lo dentro dos limites que lhes permite sua vocação e estado.

O leigo de que falamos é também um leigo ao que a Igreja confia hoje ministérios antes reservados apenas aos clérigos. Um leigo com motivação e formação suficientes para poder participar, ativa e responsavelmente, na elaboração de políticas e orientações de natureza pastoral que lhe tocam de perto e sobre assuntos dos quais tem um conhecimento e experiência que os clérigos e religiosos não têm. A Conferência do São Domingo, de 1992, coloca em suas conclusões, como uma prioridade, o “protagonismo dos leigos”, sem o qual não haverá a “nova evangelização” da sociedade que hoje se revela como necessária (N. 107). Esses leigos, chamados a ser protagonistas da “Nova Evangelização” (n. 97,103,293,302) devem receber adequada formação para que possam levar a bom término a missão a eles confiada, no mundo e na Igreja de hoje. Além de todos os documentos do Magistério Eclesiástico que sublinham a importância dada pela Igreja à questão dos leigos, há textos mais recentes, tanto da Igreja como da Companhia do Jesus, que podem iluminar nossa reflexão sobre o tema da relação e colaboração entre religiosos e leigos com vistas à missão. A Exortação Apostólica Vita Consecrata de João Paulo II, publicada em 1996, depois do Sínodo sobre a vida consagrada, trata das relações entre leigos e religiosos em geral. No parágrafo 54 deste documento, afirma-se que “hoje alguns Institutos, frequentemente por imposição de novas situações, chegaram à convicção de que seu carisma pode ser compartilhado com os leigos. E assim estes são convidados a participar mais intensamente na espiritualidade e na missão do próprio Instituto. iniciou-se um novo capítulo, rico de esperanças, na história das relações entre as pessoas consagradas e o laicato”. O parágrafo 55 prossegue na mesma linha: “Estas novas formas de comunhão e colaboração merecem ser estimuladas, por diversos motivos. Desde aí poderá resultar, antes de tudo, a irradiação de uma frutífera espiritualidade além das fronteiras do Instituto. Outra consequência positiva poderá ser a de propiciar uma sinergia mais intensa entre pessoas consagradas e leigos, em ordem à missão. Não são poucas as vezes em que a participação dos leigos traz inesperados e fecundos aprofundamentos de alguns aspectos do carisma, reavivando uma interpretação mais espiritual do mesmo e levando a tirar daí indicações para novos dinamismos apostólicos”. Assim, religiosos e leigos podem trazer para a Igreja e para o mundo o testemunho de pessoas diferentes, em estados de vida diferentes que têm em comum o Batismo e uma mesma espiritualidade e que juntam esforços para levar adiante um sonho comum: anunciar o Evangelho e trabalhar sempre para a maior glória de Deus.